A história de Heloísa Alves com o futebol começou nas ruas do Parque 10, na zona Centro-Sul de Manaus, entre brincadeiras e partidas com os meninos do bairro. Aos 13 anos, a jovem começa a transformar a paixão de infância em conquistas dentro de campo. Jogadora do Amazônia Futebol Clube, ela conquistou o Campeonato Amazonense Feminino Sub-15 e teve participação decisiva no Barezinho Delas. Na grande final, marcou dois gols na vitória por 3 a 0 sobre o São Raimundo, resultado que garantiu o tricampeonato estadual à equipe.
Antes de ingressar no futebol feminino, Heloísa encontrou no futebol misto as primeiras oportunidades de desenvolver suas habilidades, ganhar experiência e dar os primeiros passos no esporte de forma mais estruturada. Foi nesse ambiente que começou a dividir o campo com os meninos e a fortalecer o desejo de seguir no futebol.
A trajetória da jovem também faz parte de um movimento de inclusão fortalecido pela Federação Amazonense de Futebol (FAF) desde 2023. No mesmo ano em que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) regulamentou oficialmente o futebol misto no país, a FAF aderiu à iniciativa e ampliou as oportunidades para meninas participarem das competições de base no Amazonas.
A regulamentação da CBF prevê a participação de meninas em equipes masculinas nas competições amadoras, por meio do Mecanismo de Dispensa Etária (MDE). A medida permite a formação de equipes mistas nas categorias de base e na fase adulta não profissional, além da participação de equipes exclusivamente femininas em competições masculinas.
Quando a iniciativa começou na FAF, apenas duas meninas participavam dos campeonatos organizados pela entidade. Atualmente, esse número já ultrapassa 60 atletas. O crescimento demonstra a ampliação da presença feminina nos gramados amazonenses e representa novas possibilidades para meninas que, assim como Heloísa, encontram no futebol misto uma porta de entrada para o esporte.
Depois das primeiras experiências nas partidas de rua, a jovem passou pelo Projeto Pé no Chão, comandado pelo professor Washington, e também pela RB Academy, do professor Marcondes, onde iniciou sua trajetória no futebol organizado.
“Meu primeiro contato com a bola foi com os meninos. Depois disso, comecei a jogar no projeto Pé no Chão, do professor Washington. Agora estou jogando pelo RB Academy, do professor Marcondes”, contou.
O incentivo familiar também teve papel fundamental nessa caminhada. Filha de Darlene Alves e Anderson Mota, Heloísa encontrou no pai uma de suas principais referências de apoio para continuar jogando. A relação com o esporte, inclusive, está ligada a um sonho que ele sempre alimentou.
“Meu querido pai me recebeu de braços abertos, porque era o sonho do meu pai”, relatou a atleta.
Os passos no futebol
A trajetória de Heloísa nas competições organizadas começou ainda no Campeonato Amazonense Feminino Sub-10. Desde então, ela passou pelas categorias Sub-10 e Sub-12, defendendo o RB Academy, clube pelo qual também continua atuando. Atualmente, a jovem disputa o Sub-15 feminino pelo Amazônia FC e já projeta os próximos desafios, com o desejo de chegar à categoria Sub-17.
“Meu primeiro clube foi o RB Academy e ainda estou lá. Joguei o Barezinho Sub-10 e Sub-12, e agora estou jogando no Amazônia Sub-15. Se Deus quiser, vou jogar o Sub-17”, afirmou.
O caminho, no entanto, também teve momentos difíceis. As críticas chegaram a fazê-la pensar em desistir, mas o incentivo de seu professor foi fundamental para recuperar a motivação e continuar acredita…